sexta-feira, 13 de maio de 2011

Poesia intradutível

Como poesia intradutível
É esta dor que não me parte
Não me abandona, apenas me desfaz
E a falta que a tangencia se aprofunda
Me mergulha, me afoga
Cansa-me por debater
E preenchendo-a, preenchendo-a
Nunca transborda
Ao contrario, se afunda. Intensifica
Sinto tracionar minhas sensações
Girando e puxando lentamente
Até se romperem em um rio
Caudaloso de correnteza forte
Que novamente me afoga no vazio
A respiração se dificulta
Tudo fica seco e crespo
Então posso tocar meu vácuo deserto


Marina Cangussu F. Salomão

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ausência

Ausência é esta com frequência desordenada
Que desmantela as expressões forjadas
Às vezes molha a face ou apenas decai o olhar
Mas recheia-se de memórias afetuosas
Saudosa do antes e das intraduzíveis sensações remotas
Ausência é esta que aperta, que reveste
Engloba toda encenação e personifica a realidade
Idealiza opróbrios e qualifica mazelas
Pelo simples fato de preencherem a alma
A ausência é esta que dói e inescreve-se


Marina Cangussu F. Salomão

Antes

O antes sempre deixa saudades:
Os recados memorizados transbordam afeto
As palavras doces e os sorrisos.


O antes sempre guarda vontades:
As memórias segredam tristezas confortadas
Abraços do sincero e da felicidade


Do antes se esquece as mazelas
Se desfaz o ruidoso e se ouve canções
O antes, então, deixa saudades.


Marina Cangussu F. Salomão

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Dourada púrpura

As tardes melancólicas sempre remetem-me
Àquela tarde de céu dourado
Salpicado de púrpura quase rosa
Aquele sentimento que inundou-me e aquietou-se
Se revolta diante dessa lembrança
E não encontro explicação para a reincidência
Muito menos para aquele instante
Sei apenas que sentia muito mais do que sinto
Então penso se essa revolta sentimental
Não é apenas a voz dizendo:
Ainda há lúcido. Ainda há asas.


Marina Cangussu F. Salomão

Partir

Não compreendo este medo
Que aflige-me quando dou meus passos
Talvez o sentimento se refira aos meus
Então tudo se resolveria:
Afinal conheço o sofrimento
Que parte de meus pronomes
Porém, a realidade projeta-se
E os passos se tornam menos coesivos
As pernas tremulam
E o pisar é falso
Pois nunca volto quando quero.


Marina Cangussu F. Salomão

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Infinita hora da Esperança

Sinto minha inspiração palpitante
E recobro-me de pensamentos ladeados 
Que hoje podem voar pela lembrança da liberdade.
E unido perfaz-me uma imensa sensação:
Saudade misteriosa do lugar de onde vim.
Lugar etéreo como o doce momento de adoração.
Neste tempo decido que se não houver além
Fico mesmo no valor do passado.
E não importa quantas notas tocarão
Até que se perceba quão considerável é o instante,
Contanto que se repare que aquém também vale.
Assim meus sentidos apreendem a infinita hora da Esperança.
Ich habe Diamanten und Perlen,
was will ich mehr?


Marina Cangussu F. Salomão

terça-feira, 3 de maio de 2011

Cíngulo

Ouço-te como voz exorante
Gritando, clamando por mim
E diante de ti minha importância vã
Se torna eterna e essência
E apenas a isto se apega e se ama
Caritas. Caritas. Caritas.


Então vejo-te forte e cheio de glória
Mas paradoxalmente humilde
Me sorri, me encanta, me transporta
Agora longe sinto o borbulhar se desfazer
Sonora, sonolenta e sagaz
Faz-se tuas construções em mim


Edificante sinto-te cingir-me de ti
E por vez reparo minhas  virtudes se esvaindo
Em troca abre-se espaço para tua habitação
E caritas, caritas transbordas em mim.


Marina Cangussu F. Salomão