quarta-feira, 20 de junho de 2012

Casamento

Eles vão indo
Descalços 
Até o altar
Meus pés vão flutuantes 
Deitados no chão
E minhas asas voam
Segurando tuas mãos.

Marina Cangussu F. Salomão

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Io

Uma passarinho
Com comida pro vizinho
Passeando em cada ninho
Alimentando passarinho
E com vazio em seu cantinho.


Marina Cangussu F. Salomão

Abaixo

Abaixo os puristas comedidos
Que anulam as lágrimas avermelhadas
Que marcam sobrados 
Pulsando como o sangue
A vida sentida pela face,
E decoram a palidez
Com cores saltitantes
De vermelho ardente
Bem como a pele
A ser tocada indiscreta
Em cada canto da polidez.

Marina Cangussu F. Salomão

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O moço

Via-se seu reflexo descabido
Entre roupas largas mal vestidas
Cobrindo uma pele, pele apenas
Sem beleza ou carmim


Estava de cócoras escondido
Em um canto mal clareado
Procurando o escuro
Onde não nasce bonfim


Era aquele tipo mal dormido
Sem olhos para ver-se
Arrastando seus ossos
Entre o povo latim


Não tinha brilho consumido
Nem sequer o produzia
Na desesperança de seu dia
Esperando enfim o fim


Mas o tempo corrompido
Incapaz de sentimentos
Não lhe dava trégua 
Nem uma cama de capim


Nada lhe era trazido
Nem pão já lambido
Nem roupas
Nem libido.
Marina Cangussu F. Salomão

Teras de rodas

Não posso acreditar palpadamente 
Que permito que as rodas girem 
De encontro ao atrito do chão 
E tão vorazmente me afastem 
Da única ternura que me afaga. 
Não posso permiti-las serem tão más 
E indiferentes ao que me protege 
E consome em candura. 
Mas o que faço contra a rapidez 
E a fúria de seu rangido? 
E a espera do pouco agrado no outro lado? 
O que faço além de permiti-las 
Roncar forte meu desatino 
Em águas tão delicadas 
Quanto o amor deixado na poeira da fumaça.


Marina Cangussu F. Salomão

Anamnese

Gosto destas paredes e das cortinas
Das bonecas dançando imóveis na mesa
Das flores, da ternura rósea envolvente
Agrada-me
Agrada-me muito o conforto medido
De cada centímetro escolhido
A divisão do espaço em tempos escuros
Todos os segredos, todos os segundos
Cada renda, cada luz
Cada lembrança da infância decorada!


Marina Cangussu F. Salomão 

Patética

Parece que foi sonho:
O verde, a casa, o nós
O cenário bem desenhado
Os detalhes de teu sorriso
Tuas palhaçadas e teus trejeitos
Meu sono, meu sonho
Toda minha vida ao teu lado.


Marina Cangussu F. Salomão