Alguns lugares não mudam:
Tiram-se árvores,
Põem-se ruas,
Casas,
Gentes.
Não mudam em anos distantes,
Em sons atrevidos,
Em músicas vagas.
Marina Cangussu F. Salomão
"Se a Beleza sonhada é maior que a vivente, dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho?" (Cecília Meireles - Solombra)
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Pena
Estou desolada nesta terra sem pensamentos,
Enquanto todos eles veem à minha cabeça,
Dizendo-me todas as derrotas
E todos os fins, com deboche,
Pisoteando meu desprezo.
Desfilando perante meus olhos todos os anos,
Todos os tantos anos de amargura.
Veneno e Inferno.
Movendo lentamente em minha dor,
Enquanto meus olhos giram à procura do encanto
Que vejo em cada passo dos que passam.
Agora: matam-me,
Sufocando a nojenta esperança que me padece.
Marina Cangussu F. Salomão
Enquanto todos eles veem à minha cabeça,
Dizendo-me todas as derrotas
E todos os fins, com deboche,
Pisoteando meu desprezo.
Desfilando perante meus olhos todos os anos,
Todos os tantos anos de amargura.
Veneno e Inferno.
Movendo lentamente em minha dor,
Enquanto meus olhos giram à procura do encanto
Que vejo em cada passo dos que passam.
Agora: matam-me,
Sufocando a nojenta esperança que me padece.
Marina Cangussu F. Salomão
Dança Cigana
Talvez não seja bom respirar
Entre tantos marasmos e tantos cabritos
Em tanta terra beje, tanta poeira
Talvez não seja bom ativar as narinas
Já que não há vocabulário
Nem significado
Nem ritmo
Marina Cangussu F. Salomão
Entre tantos marasmos e tantos cabritos
Em tanta terra beje, tanta poeira
Talvez não seja bom ativar as narinas
Já que não há vocabulário
Nem significado
Nem ritmo
Marina Cangussu F. Salomão
Pé
Todos nós perderemos uma parte de nós mesmos algum dia,
Seja o pé,
A cabeça
Ou o fígado.
Pelo que vejo no mundo,
Desejamos que seja sempre o pé.
Porque é melhor não se manter de pé
Do que não poder escorar.
Marina Cangussu F. Salomão
Seja o pé,
A cabeça
Ou o fígado.
Pelo que vejo no mundo,
Desejamos que seja sempre o pé.
Porque é melhor não se manter de pé
Do que não poder escorar.
Marina Cangussu F. Salomão
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Poucos anos
Sentou-se à minha frente com a sua armadura de soldado.
Carrancudo. Feroz. A ponto de destroçar qualquer presa.
Me olhava.
Não haviam palavras entre o espaço que nos separava, às vezes alguns gritos.
Mas aquele dia o silêncio me sufocava, porque havia muito e muito tempo a dizer.
Então me lembrei dos outros anos: eu não tinha julgo e não o desenhava mau.
A luz apagada e o som, que ainda hoje me embala, iniciava em meus conhecimentos.
Ele, deitado no chão ao meu lado: Deus.
Eu: pequena.
E não sei se a melodia ou o conforto da companhia, ou a pouca idade; estava guardada de todo mal.
E aquele momento me guardaria de todo mal. Porque tantas vezes quis fugir e desfazê-lo de meus sonhos primeiros. Tantas vezes quis matá-lo e machucá-lo em minhas imagens. Porque não era capaz de perdoar-lhe todos os defeitos que me dera e tudo o que não conseguia enfrentar em mim. Porque foram tantas cenas guardadas, tanta confiança despida. Tanto medo e tanta solidão.
A partir do dia que o perdi, eu nunca mais tive ninguém.
E o perdi tão cedo... Ganharam o álcool e a teimosia, o orgulho e a traição.
Eu: continuei pequena.
Senti falta daquela mão aborrecida e explosiva para me ensinar a levantar e a ver o quão grande eram minhas pernas.
Desde então nasci fraquinha e magrelinha...
Mas tanto mudara nesses segundos acumulados.
Eu, perdida sem o motivo de minha fé, substituído pelo motivo do meu desespero, guardei aquela cena de adoração. E mesmo em todo o meu ódio, consegui manter-me, consegui mantê-lo. Consegui manter a esperança.
Agora, olhei no espelho e vi todo o meu tamanho e todo o caminho que desenhei para trocarmos as posições. E vi que todos os anos foram para construir o instante de retribuir todo o amor que ele me deu sem perceber, sem que eu percebesse. O amor que emanava naqueles gritos e naquelas falas, o amor que se escondia perante o desprezo.
O amor que existe e pronto.
Marina Cangussu F. Salomão
Carrancudo. Feroz. A ponto de destroçar qualquer presa.
Me olhava.
Não haviam palavras entre o espaço que nos separava, às vezes alguns gritos.
Mas aquele dia o silêncio me sufocava, porque havia muito e muito tempo a dizer.
Então me lembrei dos outros anos: eu não tinha julgo e não o desenhava mau.
A luz apagada e o som, que ainda hoje me embala, iniciava em meus conhecimentos.
Ele, deitado no chão ao meu lado: Deus.
Eu: pequena.
E não sei se a melodia ou o conforto da companhia, ou a pouca idade; estava guardada de todo mal.
E aquele momento me guardaria de todo mal. Porque tantas vezes quis fugir e desfazê-lo de meus sonhos primeiros. Tantas vezes quis matá-lo e machucá-lo em minhas imagens. Porque não era capaz de perdoar-lhe todos os defeitos que me dera e tudo o que não conseguia enfrentar em mim. Porque foram tantas cenas guardadas, tanta confiança despida. Tanto medo e tanta solidão.
A partir do dia que o perdi, eu nunca mais tive ninguém.
E o perdi tão cedo... Ganharam o álcool e a teimosia, o orgulho e a traição.
Eu: continuei pequena.
Senti falta daquela mão aborrecida e explosiva para me ensinar a levantar e a ver o quão grande eram minhas pernas.
Desde então nasci fraquinha e magrelinha...
Mas tanto mudara nesses segundos acumulados.
Eu, perdida sem o motivo de minha fé, substituído pelo motivo do meu desespero, guardei aquela cena de adoração. E mesmo em todo o meu ódio, consegui manter-me, consegui mantê-lo. Consegui manter a esperança.
Agora, olhei no espelho e vi todo o meu tamanho e todo o caminho que desenhei para trocarmos as posições. E vi que todos os anos foram para construir o instante de retribuir todo o amor que ele me deu sem perceber, sem que eu percebesse. O amor que emanava naqueles gritos e naquelas falas, o amor que se escondia perante o desprezo.
O amor que existe e pronto.
Marina Cangussu F. Salomão
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