quinta-feira, 10 de abril de 2014

Dos fins dos começos

Quando os raios iniciam sua incidência obliquamente
Brilha o sol no poente 
Brilha o sol na nascente
E brilha a vida bonita de beleza
Nos tons amenos das extremidades
E de calamidade a felicidade
Brilham os amores recheados
Suas Cores
Suas Dores
Os Cantores
Todos os que presenteiam os fins de começos do dia
E nessa beira bisbilhoteira
Mais parece que a renascença e a morte 
São melhores que a vida inteira


Marina Cangussu F. Salomão

quarta-feira, 9 de abril de 2014

IAM

Essas vidas guardadas
Não sei para onde escoam,
Talvez entoam alguns cantos pelo avesso.
E no travesso é tudo outros,
Em grades soltos

Ataque cardíaco.


Marina Cangussu F. Salomão

domingo, 30 de março de 2014

Menina multicolor

É tudo muito efêmero
O bonde, o bloco, o dia
O canto, a voz, a cria

É tudo muito efêmero
É tudo inconstante
Hoje feliz e saltitante
Amanhã seria

É tudo passageiro
É pouco lisonjeiro
Cabreiro

A menina ontem sorri
A menina era linda como a dor
A menina hoje já não tem mais cor

Marina Cangussu F. Salomão

sábado, 29 de março de 2014

Corpos

Alguns corpos são engraçados
Algumas roupas em alguns corpos

Algumas casas são estranhas
Alguns cheiros em algumas casas

Alguns móveis em algumas salas.


Marina Cangussu F. Salomão

Eros uma vez

E foi-se entardecendo em minha janela
O céu agregou a si um tom cinza
De pós-verão, de pós-chuva
Talvez o tom mais lindo de se ver em olhos
E mais raro.
E junto da cor foi aquietando-se o vento
O bambu e as falas
E inundou uma quietude
De baixo grau de desvairamento
Tudo lindo e calmo.
Mais parecia Eros invadindo as redondezas
E o centro
Invadindo a alma daquele cenário e a minha
Entornando o dia e a vida.

E como anoitece bonito por aqui
Pensou o Eros em mim
Concluindo que iria ficar.

Marina Cangussu F. Salomão

Falocracia

Falo
E peito erguido:
Pois falo alto
Falo grande
Falo grosso
Falo fino
E falo pouco
Falo curto
Falo, menino
Pois falo torto
E falo reto
Falo direto:
Falo Não
À esta cracia
De dores e mordomia
Pois falarei, 
Sempre falo.

Marina Cangussu F. Salomão

Passível

Esteve a ponto de transbordar-se de inconstância
Mais parecia vazia nesse terremoto redondo.

Esteve a ponto de encharcar-se, anuviar-se
Mais parecia perdida no jamaisvu.

Sempre tão rodeada de preconceitos malditos
Sempre tão rodopiante os caminhos transversos
Sempre desnorteado e transloucado, passível e passivo

Marina Cangussu F. Salomão