terça-feira, 15 de novembro de 2016

Tempo do Presente

As memórias com ele vêm tão ligeiras
Que recheiam-me com mil imagens e pensamentos
Gostosos como um dia de chuva,
Intenso em mim com sua rotina diária.

E o presente dele me faz desejos inéditos:
Como viver juntinho agora (e não depois).
E ele é tão macio e sutil que ele pode ser da cor de anil
De tão mágico e intuitivo a certeza que me causa

Fantástico! que mesmo depois de 390 dias 
Não consigo acreditar na energia que me invadiu
E que me permitiu estar aqui.

Marina Cangussu F. Salomão

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A claridade

Nem lembro mais de seu abraço
Nem lembro mais de seus traços

Engraçado isso da vida se perder
E a minha se perdeu por caminhos tão bonitos

Nada mais é labirinto:
Tudo é claro e com amor

E nem só digo de parceria
Digo de mim mesma:

A vida hoje me sai em poucos poemas: concisos e belos
Nunca mais aquela confusão medonha de meus erros.

Marina Cangussu F. Salomão


Das mudanças, medos. Motivações

Tão vagarosamente alguns pedaços se despedaçam
Que a falta já não lhes cabem mais
E vai a vida se refazendo
Como rocha em erosão:
Aquelas a se sedimentar
Em mover louco
Porém suave de processamentos.

_Para que medo? Perguntei.
Isso é apenas besteira de iniciantes.


Marina Cangussu F. Salomão

Princípios

Nós dois nus
Encaixamos 
Tão perfeitamente
Que quando
Nós dois nus
Encontramos
Foi como mágica
Para mim
Assim de repente: plim!
Tudo estava compreendido.
Mas para ele tudo é vagaroso
Desses que vai uma tarde inteira
De nós dois nus
Amando.

Marina Cangussu F. Salomão

Proseando

Já não escrevo mais poemas 
Desses rápidos, ligeiros e intensos
No chegar.
A vida encheu-se tanto de amor
Que a rotina agora é prosa.

Marina Cangussu F. Salomão

Sobre o instante da paixão

Como pode nesse mundo existir força que eu diria rara e tão grande, que possa atrair dois seres: não desconhecidos, mas indiferentes?
E como posso eu, dentre tantos bilhões, tão alheia, ansiosa e inquieta, percebê-la passar por mim por um milésimo de segundo e, em minha sempre confusão de pensamentos, decidir segui-la?
Eu, tão incerta, tive naquele momento, a possibilidade da certeza. 
E a ela me agarrei.

Marina Cangussu F. Salomão

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Ele

Ele tem os olhos negros
Assim como vulcões
Desses vulcões que parecem dormentes
Mas estão por erodir

Ele também é erudito
Assim com vários livros na estante
Que antes, nas mãos
Estão prontos para serem relidos

E ele sempre me reler
Sabe de meus dias carcomidos
E mais ainda dos de regozijo
Esses onde estamos prontos para nos perder

E ele nunca me perde. 

Marina Cangussu F. Salomão