Há uma loucura fugindo-me, Louca por resfalecer-me e sangrar Fugir por meus germes e fluidos Escapar de todo logismo de minha razão Definhada por estímulo e exatidão.
Aterroriza-me a noite Quando vem com seus raios escuros Afastar-me de minha companhia. E devagar, calmarosa e lenta Invade todo o espanto. Expandindo-se senhora e rouca De tantos gritos e assobios, Justificados no vento - bondoso pelo dia. Ela vem e escurece-me, sem sombra e cria.
Estou andando nesta estrada de tijolos amarelos, Desenhada na infância nos respingos de meu pai. Vou andando em tijolos tristes e abobados, Ensimesmados, acovardados e cru. Estou andando e pisoteando, Bagunçando, destrilhando o já mandado.
O amor tem dessas coisas de amar Um entorpecer-se de temor na falta de metros E um querer na vaguidez de quilômetros O amor tem dessas coisas de bobeira De rodopiar flutuando por bestagens De desatar por brincadeiras
Parecem tão distantes as memórias de meu desejo, Tanto tempo entre o hoje e seu delírio, Que se rompem norteadas sem destino, Para puro deleite de meus pensamentos. Mas ainda tão claras e precisas Que é possível sentir os mesmos devaneios E encantos de outrora. E tão presente que a paixão continua a amedrontar-me Com seus impulsos de felicidade e suas vontades incontroláveis Da necessidade de abster-se do ir-se pelo instante Em figuras de brincadeiras adestinadas e fugazes. E de tão distante que eram a tão inconsequentes que são Acredito no encantamento de meus dias que virão Rodeados de tua presença concreta e não sonhada.