sábado, 12 de outubro de 2013

Morte final da Moeda Japonesa

São tantos retoques finais
Tantas artes quentes
Que os pés iniciaram a decadência

O corpo se deitou frio.

Os segundos, um a um,
Se tiquetaquearam

Os sonhos dormiram

E o silêncio reinou
Soberano e triste.

Marina Cangussu F. Salomão

Tarde cinza sem Tempo

Me vê um café quente em taça fria.

Me vê a amargura e a melancolia.

Marina Cangussu F. Salomão

Monogamia

Reduzimos o correr de nossa pressa
E sentimos o cantar claro dos corpos de braços
Refizemos o silêncio e a contemplação.
Deixamos as tintas pintarem qualquer cor
Ignoramos se era úmido, seco ou sol quente
Bastamos o andar dos segundos no parar do tempo
Flutuamos, pairados, estáticos.

E tudo deixou de ser real.

Marina Cangussu F. Salomão

Delineamento

Percorra-me
Transcorra-me
Escorra-me
Discorra-me

Marina Cangussu F. Salomão

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Casinha

Há muito tempo não me balançavam as curvas das estradas.
Ou talvez nunca tenham sido caminhos.

Há muito tempo meus olhos não transladavam as escadas.
Ou talvez subiram baixinho.

Há muito tempo as ondas não se dissipavam.
Ou talvez eram só ressaca.

Mas hoje fluida 
Mais que o vento
O levo lento
Em brinquedos sérios
Para minha casinha.

Marina Cangussu F. Salomão

Fascínio

Desde cedo fascinou-me o ser humano...
Suas filosofias
Sociologias
Suas teologias
Biologias
Seus pensamentos
Histórias e artes.

Suas partes 
E seu todo.

Marina Cangussu F. Salomão

Fuga de Ideias Invisíveis

Voz
Atroz
A sós
No corredor vazio
Num frio
Num chão.
Lá fora, consolação
Do cão
Que lambe dejetos
Para o altar.

Marina Cangussu F. Salomão