segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Vida

Em mendigar incessante
Repugnante
E triste.

Marina Cangussu F. Salomão

Torta

A porta está tão quadrada
Tão cerrada
Tão disposta
Que se torna espessa a passagem

Marina Cangussu F. Salomão
  dois
c
o
l
o
s
  distantes 
            f
            o
            r
            m
            a
            m
   um solo

Marina Cangussu F. Salomão

Eu de cá invejando-te

Eu de cá
Vejo grande à minha volta
Você: nem segundos
E nem rota

Eu imersa em palavras
Sem significação
Você envolto ao travesseiro
Na cama, no colchão

Eu requieta no tempo
Vastidão
Você em casa
Sem ação

Marina Cangussu F. Salomão

Epifan (tas) ia

Dizia-se de leveza
De corridas e abraços

Dizia-se de afetos
Tardes, estardalhaços

Dizia-se dos curtos
Dos longos, do criar

Dizia-se da loucura
Aventura, consolidar

E dizia-se do tempo
Do movimentar lento
Do girar contínuo

E vinha-se o vento
O instante
O momento

E vinha-se o nume, o pó e o ar.
Marina Cangussu F. Salomão

Colo

A dor remove-me as palavras
E são apenas gotas
Desesperadas.
Passaradas.
Retornando vazios
Restando apenas a letra desenhada

Marina Cangussu F. Salomão

Segundo piso

Andar vago, vasto, solitário
Andar solto. Andar livre.

E vai-se indo perna após perna

Alto baixo
Sozinho conjunto
Silêncio barulho

E vai-se indo a alma intacta

Vago, vazio, solitário
Solto, demasiado longe
Atarefado.

Marina Cangussu F. Salomão