quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Resquício

Já fazem trinta anos que as dores da vida 
despontam em teu peito, 
transbordando e faiscando 
em prantos loucos, soltos e sem moral

E tudo degenera, tudo se desfaz.


Marina Cangussu F. Salomão

Caras

Se perderam algumas caras nesse caminho de portas secretas
Trocaram roupas, modos, atitudes
Até hábitos alimentares e o conceito de infinitude
Mas talvez não seja perda, mas troca
Se ganharam novas caras nesse caminho perdido
Que nunca volta atrás, nem se desfaz por qualquer besteira

Marina Cangussu F. Salomão

Estante

Me parecia vazia a vida da boneca 
Sentada vendo as crianças correrem para todos os lados
Ali mal colocada na estante, imóvel e pálida
Maldita, diria. Engrandecida de horrores de estátua.
Como bandida roubando os atos disfarçada a inveja.
Não parecia sincrônica nem em despedida
Quando a menina crescia.

Marina Cangussu F. Salomão

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Segredos de retratos

Esses loucos que dizem ver minha porta escancarada
Ao lerem meus retratos de segredos 
Se perderiam nesse labirinto de gente
E entre tantas imagens distintas 
Nunca me encontrariam
Nem veriam meus traços distorcidos 
Em imagens desconvexas
Bem complexas 
De meus pensamentos secretos


Marina Cangussu F. Salomão

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Sete horas

Adoro esses dias que vão pela noite
Saudáveis e claros
E sem importar onde estão os ponteiros.

E bem ao meio dia soltam seus pássaros 
Para se entortarem como a manhã 
Até o céu verde do centro do mundo

Marina Cangussu F. Salomão

À procura de quem me queira

Aos "amigos"
Vai-se indo dentre esses vazios
Exaustos e pomposos silabados:
Retiram seu estoque de conselhos
Retiram a dispensa do silêncio
E desabrocham verborragias incomparáveis
Desestimuláveis e alheias
Vazias e irritantes de sequer tema inconstante
Depois enchem-se de sua falta detrás de copos
Beberias e músicas altas
Enquanto espera inquieto a lembrança em casa.


Marina Cangussu F. Salomão

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Distorções do remo

Os atos iniciam lentos
Soltos, leves
E já não sei de ponteiros
Ou de mim

Marina Cangussu F. Salomão