segunda-feira, 13 de abril de 2015

Caminhada na Primavera

No caminho encontram-se coisas:
As coisas novas
E as coisas velhas com suas novidades.
No caminho se descobrem as velhas coisas desconhecidas
Sempre guardadas
As coisas ali plantadas
As coisas com suas velhas singularidades.
No caminho se descobrem as novas coisas amanhecidas
Bordadas de surpresas
As coisas ainda não adormecidas.
Todas elas esperando seu tempo
Em seu lugar.
As coisas esperando apenas você passar.
As coisas assim bem como são:
Todas florindo.

Marina Cangussu F. Salomão

segunda-feira, 16 de março de 2015

Obviedades

Quando andávamos naquelas ruas desconhecidas
O mundo parecia ser tão possível
Tão tangível
Mesmo aos da tangente
Que minha alma se inundava 
Ao mínimo toque de tua pele
E ao descrever-me a eternidade
Me permitia sentir a possibilidade daquela parceria
E eram tantos sonhos e certezas
Que a concretude mais parecia óbvia 
Naqueles teus olhos dourados e lindos

Mas o óbvio é apenas para aqueles que vivem de sonhos.

Marina Cangussu F. Salomão

Partida

'Deixe ele ir'
Dizia a voz aqui dentro.

Mas é tão destoante a partida.

Vi mil vezes o desfazer de laços
Mil vezes o mover de passos
Deveria estar tão usada, tão gastada
Que acostumada estaria.

Mas vê-lo partir é tão doloroso
Quando junto ao ir não vai o voltar.

Marina Cangussu F. Salomão

Amores Noturnos

Fecho meus olhos 
E ainda posso sentir o cheiro de tua pele 
Se aproximando da minha
Teu gosto me rodeando
E tua textura me suavizando.
Posso ter-te ainda por inteiro
Tomado em mim em deleite
E te acaricio ameno e gostoso.
Posso ver estes teus olhos dourados
A brilharem para mim
Me amando, até o fim.
Sim, ainda posso ter-te ao meu lado 
No travesseiro
E você me pesando inteiro.
Eu sonho contigo, meu amor.
Você é perfeito em meu sono
Sutil e ligeiro.
Tão rápido que em um amanhecer
Já se dissipa
E o que me resta são teus defeitos
Tua permissão desordenada em se perder.
E odeio-te no vagar do dia.

Mas pela noite
Eu vou ser para sempre tua
E só tua.


Marina Cangussu F. Salomão

quarta-feira, 4 de março de 2015

Dissonância

Quando voltam passados
Voltam os monstros
Agarrados em mim

E ficam a amedrontar-me
No escuro e no cansaço
Eles ficam a dizer-me
Loucuras sem retratos 

Eles voltam 
Rodopiando a mente
Encarcerando os lábios
Brincando de esconder-me fatos

Eles ficam
Por dias seguidos
Intactos

Marina Cangussu F. Salomão

Relampejo

Adormeci-me em teus relampejos de satisfação
Como quem se deita rodeada de gratidão

Adormeci e me deixei entregar ao sono pesado dos que estão cansados

Permiti-me sonhar no sono REM
E não querer saber o que que você tem

Amenizei teus rastros com meus sonhos
Amenizei minha vida de enfadonhos.

Marina Cangussu F. Salomão

Tranças

Não,
A vida não é uma mentira.

Mentira é o que os homens contam sobre a vida.

De seus castelos enjaulados
Rodeados de pedras falsas

De seus muros enraizados
Com suas portas sem alças

Só com trancas
Trancados.

Marina Cangussu F. Salomão