domingo, 22 de setembro de 2013

Cigarras cantando ao meu ouvido



A tarde findou-se tingida de amarelo invasivo
Retirou as cortinas e se difundiu
Tingiu o espelho e o retrato
As notícias chegaram felizes
Enquanto luzes se ascendiam
E alguns ousaram o quintal
Era a primavera linda e florida
Variegando os segundos do porvir

Marina Cangussu F. Salomão

sábado, 21 de setembro de 2013

Fuga de Ideias Invisíveis

Alados. 
Inalados.
Respirados em pulmão sem derrame.
Mas derramado 
As chances
Nuances
Pedantes
Gritantes
Vexantes
Enxames
Exames de vista
Larga
Solta
E frouxa.

Marina Cangussu F. Salomão

Poeta das Timbiras

Existe um poeta nas ruas
Poeta de hinos constantes
De charme exultante

Existe um poeta das ruas
De gritos surdantes
De ouvidos crescentes

Existe um poeta
Que ilustra as manhãs
E os percursos da timbiras.

Marina Cangussu F. Salomão

Cesárea

Aos meus
Desejo a magia do toque fantástico
Retirar-te o lúgubre pesar
Que te impulsiona ao segundo parto

Desejo doar-me por teu corpo
Permitir o navegar de teu princípio 
Preso em teus limites inconstantes

Desejo o fascínio de tua abóbada
Definhado sem esmero ou primor
Diante de teu rico clero de lassidão

Desejo a retirada dos verbetes
A privação de tuas convenções
Libertar-te da insígnia que te apedreja

Desejo o rítmico de teu tórax
E a fonética de tua bulhas
Acalmar-me o rebanho de anseios

Desejo teu êxito e teu regaço
Tua presença em meu laço
Desejo que nunca me deixes e nunca me parta.

Marina Cangussu F. Salomão




Janela

Por que tão rudes as palavras
Tão agressivas
Sangrando almas e ouvidos

Por que tão decrépitos os olhares
Tão ameaçadores
Desgostando os atos e lugares

Ruim
Ruim

Por que tão difícil o suave
Tão precário
Rude, disfarçado na ausência

Por que tão inconstante o amor
Tão longo, tão longe
E no próximo apenas o ruim de si.

Marina Cangussu F. Salomão

Aos alados

Para Eduardo Cardoso
O horizonte é vasto
Os sentidos curiosos.
Longo e lindo.
Pouco distante 
Aos inquietos.
Flutuante aos alados.

Marina Cangussu F. Salomão

Ecos amarelados

Para Salomão
Vão-se indo os próprios
E restando os passos
Nas vozes os apertos
Nos sons a saudade.

E dizem em tarde amarelada:
"Agora é com você" 
...

E os retoques em mãos pequenas
As lágrimas nos olhos
O medo na alma.

Marina Cangussu F. Salomão