Por que tão frágeis as coisas... Os instantes. Os segundos. Tão efêmeros E tão pequenos Se esvaindo no piscar de olhos No frigir de cenho Rodopiar de mente Se acabando no eternizar de alma No infinitar-se Completamente.
Uns velhos, brancos, vagarosos Passam, tranquilos, param Seria possível dúvidas. Não Só incertezas Outros fantasmas, princesas e reinados Pulantes, enamorados Seria possível a morte. Não Suspiros Resta fome e pressa. Oposição.
Se possível fosse o perdurar intenso e eterno A luz por entre as flores seria estática O sol sempre amarelo, intensificando o verde Os segundos em que todos passam e param: Incrível as cores sob um céu azul pálido As companhias de cada um Os cães, as comidas, as artes Águas. Pássaros. Bracos e Amarelos
Prefiro as doses às donzelas As flores às mazelas Prefiro os cantos, sem música Os prantos, sem mágica Me acalenta a magia A festa. O arado Me sustenta a companhia O abraço. Feijão escaldado
Um rato aos ignorantes Aos perniciosos Aos cristãos Aos humildes de coração Todo o meu afeto ensanguentado Aos uniformizados Aos alinhados Educados com varão As mais sinceras obsceneidades Aos colares de medalhas Os vestidos com jargão Aos podres em exatidão Um aborto aos bordados Aos travados Ignorados Aos que sussurram para a mão.
O tempo se perdura no pêndulo No tempo As horas somem E silêncios se tornam eternos Os sons externos debocham Qualquer desenho Retocam Os duros desgastes que fizeram Gritos e risos, crianças em vozes abafadas, buzinas Barulhos constantes, Frequentes, Irritantes, Tiquetaques suspensos Aqui dentro o tempo perdura Silêncios, olhares, constrangimentos Pensamentos em segundos pequenos Pendurados, intactos, sortidos Erros e desavenças.