quarta-feira, 18 de julho de 2012

Sintomas

Sinto teu cheiro ululando em minhas narinas
Como se tua alma roubasse todo o ar 
Que te rodeia para manter-me tua.
Ainda que esquece-se o corpo em cadáver
Para lembrar-me da esperança colhida de estarmos juntos.
E alcança seu desejo, porque volto inebriada em aspiração 
Seja para onde me caminhes ,
Conquanto me nutra e absorva de sonho
De confabulação cega por teu encontro.


Marina Cangussu F. Salomão

Fé desfeita

Hoje conheço a fé dos incrédulos:
Os terrenos, os etéreos.
Vejo-a salpicar por entre costumes,
Entre olhos e apuros.
Mas não se distorce em aspersão,
Nem vontades, nem brilhos.
Existe na decadência e na possessão,
Na desesperança e na visão.
Existe no saber de si.
Na humanização.


Marina Cangussu F. Salomão

Psykhé

E dir-se que seria livre
Para as palavras em ordem
Que vêm não se sabe donde
Invadirem a caixa
Misteriosa e complexa,
Para movê-la com maior rapidez
Naquela estrada de tijolos amarelos.


Marina Cangussu F. Salomão

Olhos

Tudo mais claro e completo
Diante daqueles olhos 
Pouco claros e muito densos
Meio puxados, fechados
Que olham com imenso afeto
E pouco curioso.
Os mesmo olhos que protegem 
Com prolongados abraços
Mas nunca com palavras
Pois elas não são de sua boca.
Os olhos tardios e doces
Que se ama, se beija e se ri.


Marina Cangussu F. Salomão

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O Amor

Só compreenderia a plenitude
Naquele momento
Que o amor retornava
Unido às suas angustias,
Que transtornavam-na a face
Em dizer de dir-se-ia.
E no momento
Era incapaz de desenhar
As letras de um mal dizer
Ou de uma insatisfação:
Pois que importa junto da amplitude
De sentir-se quente feliz?


Marina Cangussu F. Salomão

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A perda dos apressados

Quem me dera ser como estes
A sentar pelos bancos
Para conversar,
Olhar,
Contemplar.
E assim ver-se indo
Sem domínio ou tempo!
_Ou dominaria mais
O girar da sombra dos apressados,
Mais que os próprios rápidos
Que não se veem.
E quem me dera um dia,
Com meus grisalhos pelo vento,
Poder sentir o suor daqueles
Que hoje não vejo por ser eu.
E descrevê-los
Lentamente
Em pressa
E em perda.


Marina Cangussu F. Salomão

domingo, 1 de julho de 2012

Vindicar

Minha esperança oscila em um fio
Como redenção girando lenta
Pronta a espatifar-se
Espalhando por toda parte a desilusão
O desastre de se contornar
E girar em volta de si
Repetindo, repetindo
Durante tempos
Os mesmos cenários e desculpas
E a cada girar de anos
Desfez a linha que a segurava
Transformando-a em fio
Que rebenta e lança
E voa livre, para longe
Até alcançar o chão em velocidade


Marina Cangussu F. Salomão