segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pintura

Não era capaz de perceber 
O que a esperava por detrás 
De todos aqueles brilhos 
Cintilantes de borboleta 
Que rodopiavam leves
Criando riscos imaturos pelo ar 
Em uma página transparente.
Incapaz de transpô-la 
E vê-la solta com menos brilho
Na sequência, menos flores.
Não queria rasgá-la nem perdê-la
_Antes toda aquela fantasia de mil cores
Que a perseguiria
Nos sonhos de todas as noites.
E talvez um dia real
Lá no fim do fundo preto.
Marina Cangussu F. Salomão

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Dança


Como explicar toda a loucura de meu corpo
Se entregando ao ritmo do vento
Em passos e saltos
De pés e pernas
Sem assombração
Dançando mãos e rostos
Irreprimíveis e livres
Soltos em sala grande e vazia
Marrom, madeira cheirando a cera
Lisa e escorregadia
Escorregando meu corpo
Por entre os cantos redondos
Sem limites para a alma
Livre, presa nas pernas
Longas e crescentes
Sem olhos para ver ou ser olhada
Tomando seu ritmo próprio
O som que quer ser
E se solta, completo
Louco e livre
Marina Cangussu F. Salomão

(volta) O som de minha oração


Volta a rede no mesmo balanço suave
No mesmo cheiro confortador
Nos mesmos traços e nos mesmos laços
Singela em declaração
Sincera em amor

Volta em seu balanço de palavras
Solta por entre os outros caminhos
Saltitando pelos tijolos
Atuando em um tempo
Moldado pelos olhos
E pelo o que ela diz

Volta a rede rodopiando
Meio sem imaginação
Volta sem voltas e rápida
Talvez em sorrisos
Volta solta
Como as letras da minha oração

Marina Cangussu F. Salomão

Respiração


E fez-se som
Na luz por entre as folhas
E no fundo todo azul,
Como o som daquele vento
Calmo e doce
Que segredava meus pensamentos
E me trazia todos
Na vagareza do tempo,
Meu derradeiro lugar de inspiração
Que deixava ser suave
O ar por entre as cordas
Que me permitiam a pulsação.
Marina Cangussu F. Salomão

A rede


A luz diretamente nos olhos
Pedia para se fecharem
E sentirem o calor que inundava
Junto ao aroma do balanço
De uns pés no chão.
E tudo tão confortador
Que me perguntava
Por que não para sempre
Entre aqueles braços
Como antes entre os pais.
Pois agora eu os trocava.                                   
Marina Cangussu F. Salomão

Sentimento vil e vã


Hoje não quero mais voltar ao começo
Pela primeira vez desisto da ideia de retorno
E pela última penso em seguir em frente

Hoje somente hoje

Marina Cangussu F. Salomão

Cientista


Não quero mais as palavras
Como descrição de meus fins
Nem quero o sonho
Como caminho a seguir
Quero antes a loucura
Da inexatidão
Transbordando como insana
Por entre os olhares e alguns sorrisos
E nem quero vê-los
Apenas senti-los e talvez tocá-los
Como cega por alguns passos
Saltitante e insegura
Ir indo pelas novas estradas
Amarelas como meu medo de sair.

Marina Cangussu F. Salomão