segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Solo

Quem poderia dizer para onde vai a vida
E o que vamos ser
E se os caminhos onde damos os passos
São os mesmos onde construímos nossos castelos
Diga-me: onde tudo isso pára
Já que nem me reconhecem em fotos antigas:
Meu rosto muda, meu corpo muda,
Minha alma muda, quiçá minha essência.

Marina Cangussu F. Salomão

Cético

Disfarça-se em incredulidade
No tontear de falta de risos,
Falta de turbulências,
Falta de vocais.
E gira e roda, tonteia
No fingir de não ser os olhos
Que remexem para lados
Ou a mente desenhada na cabeça.
Apenas julga o mundo passando em círculos
Impondo o movimento da terra
Registrados nos teóricos.
E esquece seu próprio movimento.
E não mais se mexe
Nem retira os pés
No medo da pouca fé
De caminhar.

Marina Cangussu F. Salomão

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Meu desejo

Somente quero estar lá:
Por trás da cortina enevoada 
Sentindo o cheiro molhado
Que a terra transpira.
Somente ela e minha contemplação
Em horas monótonas e vazias
Que preenchem meu espaço
Em sussurros e balanços.

Marina Cangussu F. Salomão

Síndrome

O tempo não para em seu cubículo abarrotado
Nem os olhos cerram.

Os pensamentos tolhem
Em seus quilômetros de listas e tantos defeitos.

A garganta entope,
Os lábios embatucam.

E os grandes olhos procuram pela vida.

Marina Cangussu F. Salomão

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Transparentes

Os transparentes
Que passam em suspiros
Mal notados
Escondidos nos cantos
Passavam estranhos 
Do outro lado dos olhos 
Que não olhavam
Passavam sumidos
Calados
Sem corpos
Inconcebíveis
Em transitório devanear de anônimos
E iam para incontestáveis lados disfarçados
Assombrados
Em malas, pernas e sapatos.

Marina Cangussu F. Salomão

Meus olhos

Olhavam para cima 
E giravam em perfeita circunferência
Repetidamente
Iam no meio e voltavam ao centro
Procuravam os motivos
Os suspiros e a saída
Mas não viam, nem sabiam, nem notavam
Eram cegos.

Marina Cangussu F. Salomão

Buzinas e gemidos

Eles nos matam aos poucos
Consumindo nosso ócio 
Em mil gritos aturdidos
De tantas buzinas e gemidos.
E consomem a alma etérea:
Aquela diminuta alma sem ar
Sufocada em seus barulhos 
E nos tantos deveres,
Que retira o que é capaz
E desenha nos corpos os traços a ser,
Lineares e delimitados.

Marina Cangussu F. Salomão