sábado, 23 de fevereiro de 2013

Atlas

Eles estavam lá
Apenas esperando o tempo passar
Para que pudesse olhá-los
Com os olhos 
Que naquele momento existiam
E impressionavam
Diante de tantas respostas
Antes sem perguntas

Marina Cangussu F. Salomão

Lá nas terras do sem fim

Lá na terra onde todas as estrelas nos olhavam
Iluminando a pouca luz com sua beleza.
Lá onde não se podia contá-las.
No mais escuro possível na terra 
E o mais claro no céu
Lá onde sentia-se só, 
Onde só havia frio, 
No mais completo silêncio.

É o mesmo lá onde se vê cada brilho do alto.
Todos os olhos dos tempos em ti:
A completa paz.

Marina Cangussu F. Salomão

Marrom

Esquece-se de sua natureza 
Entre tantos verbos 
E tantas cores.
E já não é possível crer nos olhos
Crer na pele e no tato.
Já que entre tanto voado
Entre tanto tudo
E toda areia
Tudo seco 
E muito ameno.

Marina Cangussu F. Salomão

Sua dança

O canto floresce na amplidão destas ruas
E teus rodopios e voltas fascinam-me
No ar que te exala,
Aspirando a menino
E pura beleza.

Marina Cangussu F. Salomão

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Verbo em dom

Não reconheço o verbo
Em sua força e dom
De alterar os próximos passos que vem

Sabem menos do som
Que desenha no vento
A ação impulsionante dos que crêem

E não se movimentam
Em fala ou comunicação
Pois não sabem nem vêem

Se estacionam apenas em estratégias
Esperando a dor dos outros olhos
O inquietar das outras bocas

Esperando a queda das peças
Esperando o verbo em som

Marina Cangussu F. Salomão

Poema associando a Teoria da Ação Comunicativa de Habermas com a postura de pedintes diante a crise financeira do mundo.

Profecia de Saturno

Saturno devorando seu filho - Rubens (1577-1640)


Sugue seus pedaços 
Largados nos caminhos que não vira
Cada um com todo sabor amargo dos esquecidos
Sugue-os com o terror de ter perdido.

Sugue teu trono para não perder as estrelas.

Marina Cangussu F. Salomão

Braços, bruços e soluços

A cabeça anda em movimentos,
Rodopiando entre os labirintos dos degraus.

E o corredor se movimenta estático,
Reverberando os hinos do tilintar pensamentos
Entre três paredes e costas.

E nelas não há nem sequer teu desenho para me acalentar:
Entre braços e bruços de meus soluços

Marina Cangussu F. Salomão