Me voltam à memória todos os teus confortos em abraços,
Todos os meus sorrisos,
Todos os cheiros deixados em meus panos.
Todos os planos e projetos.
Todas as vezes que te tive nas pontas de meus dedos.
Tudo o que senti em tua pele.
Agora me vem tudo e não quero deixá-lo.
Não quero perdê-lo.
Me voltam todas as vezes que não te tive,
Todos os meus olhares,
Todas as nossas derrotas.
Todos os nossos medos.
Todas as vezes que teu cheiro me inundava.
Todas as vezes que o mundo não me importava.
Eu não quero deixá-lo.
Marina Cangussu F. Salomão
"Se a Beleza sonhada é maior que a vivente, dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho?" (Cecília Meireles - Solombra)
domingo, 17 de março de 2013
sexta-feira, 15 de março de 2013
Chão pisante
Quando andava naquele chão desconhecido,
Permitia ao meu corpo
Levar-se por entre seus relevos
Variados entre sombras e quente.
E em passos descobertos
Seguia em pernas que não se sentiam:
Entre flutuar e vacilar,
Mas insistiam em pisar,
Marcavam aquele chão anônimo e amarelo,
Compactava seu solo e seus grãos.
Porém não eram só meus pés,
Mas diferentes passos,
Deslizando em distintas pedras,
Com seu próprio tamanho, largura e peso
E pisavam ora tortos ora retos.
Ora vagos, ora concretos.
E em passos idos e voltados
O chão também me pisava em sua força reversa
E seu peso incidia, enchia.
Era mais em mim que eu nele.
Mais meus sedimetos compactados
Mais erosado, mais devastado.
Marina Cangussu F. Salomão
Permitia ao meu corpo
Levar-se por entre seus relevos
Variados entre sombras e quente.
E em passos descobertos
Seguia em pernas que não se sentiam:
Entre flutuar e vacilar,
Mas insistiam em pisar,
Marcavam aquele chão anônimo e amarelo,
Compactava seu solo e seus grãos.
Porém não eram só meus pés,
Mas diferentes passos,
Deslizando em distintas pedras,
Com seu próprio tamanho, largura e peso
E pisavam ora tortos ora retos.
Ora vagos, ora concretos.
E em passos idos e voltados
O chão também me pisava em sua força reversa
E seu peso incidia, enchia.
Era mais em mim que eu nele.
Mais meus sedimetos compactados
Mais erosado, mais devastado.
Marina Cangussu F. Salomão
Querelante
Impossível retornar àquele rosto medroso, ingênuo e infantil
Impossível retornar nos passos, nas mesmas pegadas
Descer os mesmos penhascos
Possível apenas assassiná-la nos restos de seus vestígios
Sangrando-a até a morte para não sentir sua sombra
Seu rastro e seu vulto
Amedrontando o rosto que hoje pesa tanto ostentar
Marina Cangussu F. Salomão
Aquela poeira
Guardo o que me trouxeram no vento
Que clarificava a turvidão de outros tempos
E da gaveta, que deixei aberta,
Vejo chamuscarem seus brilhos
E vejo nos meus dias as cinzas de sua ação
E vão indo rotacionando-me em outra direção
Marina Cangussu F. Salomão
Que clarificava a turvidão de outros tempos
E da gaveta, que deixei aberta,
Vejo chamuscarem seus brilhos
E vejo nos meus dias as cinzas de sua ação
E vão indo rotacionando-me em outra direção
Marina Cangussu F. Salomão
Os passantes
Sua necessidade
Altera todo o percurso
De meu caminho
Toda a minha luz
Retorna meus passos
Minha vontade
Só tua confiança e desespero
Teu olhar penoso
Teu medo, tua respiração.
Renasce em mim o antes
Que tão antes procurei
Marina Cangussu F. Salomão
Altera todo o percurso
De meu caminho
Toda a minha luz
Retorna meus passos
Minha vontade
Só tua confiança e desespero
Teu olhar penoso
Teu medo, tua respiração.
Renasce em mim o antes
Que tão antes procurei
Marina Cangussu F. Salomão
sexta-feira, 8 de março de 2013
Seletos projetos repletos de concretos
As lajes sem lajotas
Em lotes latentes latejam
Nos latidos loucos roucos e poucos
De teu sonido mordido invadido e inversado
Já ingessado amassado arrotado e calado do tempo passado.
E repletos de dejetos quietos
Nos ensaios dos lacaios em balaios
Balançados e abordados de tua visão sem perdão
E comoção entre trajes de ultrajes sem lajes ou coração.
Marina Cangussu F. Salomão
Em lotes latentes latejam
Nos latidos loucos roucos e poucos
De teu sonido mordido invadido e inversado
Já ingessado amassado arrotado e calado do tempo passado.
E repletos de dejetos quietos
Nos ensaios dos lacaios em balaios
Balançados e abordados de tua visão sem perdão
E comoção entre trajes de ultrajes sem lajes ou coração.
Marina Cangussu F. Salomão
Mulheres de Marrakech
Traz-me entre meus sonhos esta madeixa viva
Que te rodeia e desnorteia nos tantos outros
E nos afoitos.
Traz-me em tua indiferença curiosa,
No pedaço de tua alma perdida
Em desenhos de monstros sem alma.
Traz-me tuas rugas por entre panos,
Tuas vestes sem vexame,
Teu espírito ensanguentado
E tua imensa sabedoria,
Entre cores e sabores
No salgado de teu suor
Em pleno inverno.
Que te rodeia e desnorteia nos tantos outros
E nos afoitos.
Traz-me em tua indiferença curiosa,
No pedaço de tua alma perdida
Em desenhos de monstros sem alma.
Traz-me tuas rugas por entre panos,
Tuas vestes sem vexame,
Teu espírito ensanguentado
E tua imensa sabedoria,
Entre cores e sabores
No salgado de teu suor
Em pleno inverno.
Marina Cangussu F. Salomão
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