quinta-feira, 24 de abril de 2014

Discurso calado

Portanto mudarei o discurso
Retornarei o percurso
Desistirei do meu curso
Aliviarei o teu pulso
Para estar ao teu lado
Para não esquecer o recado
Para servir-te recatado
Para ver-te enfadado
E morrer frio e calado


Marina Cangussu F. Salomão

Futuro Decreto

Prosseguiram os desconhecimentos redundantes
As causas atenuantes
E o lirismo... 
O reto lirismo das curvas

E já nem se fala em paradoxo
Teve-se o fim do ortodoxo
E do chauvinismo...
O porco chauvinismo desmentido

Então a estátua estática normalizou-se
Urubu aquietou-se
O elástico esticou-se
E tudo foi permitido aos que quiseram.

Marina Cangussu F. Salomão

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sempre os ponteiros

O tempo podia voltar
Em alguns dos ponteiros
Fora da imaginação

E retornar os delicados momentos
Que hoje são bons
Fazendo-os eternos na alma e no coração

Marina Cangussu F. Salomão

Sentível

Sei lá como ficaram todas as pequenas coisas impossíveis 
De enxergar com a luz que entra pelos olhos

Mas talvez se concentrarmos a alma, a calma se distrai
E o mundo fica mais tocável e sensível


Marina Cangussu F. Salomão

Poetisa

Sou poeta de nascença
Sem pertinência
Mas sem desajeito
Nunca tive repetência
Ou fiquei no malfeito

Sou poeta de nascença
Nasci marcada no meio termo,
Meio que a ermo
Na mancha café-com-leite
Sem enfeite
Do braço esquerdo

Sou poeta de nascença
Sem reticência
Alguns asteriscos, outras vogais
Vim assim sem licença
Sem consultar os anais

Sou poeta de nascença
E de nascença nasci sem crença
Nasci sem rumo
Ou sem pardais
Os que voaram foram gaivotas
Diante os pantanais.

Marina Cangussu F. Salomão


quinta-feira, 10 de abril de 2014

Dos fins dos começos

Quando os raios iniciam sua incidência obliquamente
Brilha o sol no poente 
Brilha o sol na nascente
E brilha a vida bonita de beleza
Nos tons amenos das extremidades
E de calamidade a felicidade
Brilham os amores recheados
Suas Cores
Suas Dores
Os Cantores
Todos os que presenteiam os fins de começos do dia
E nessa beira bisbilhoteira
Mais parece que a renascença e a morte 
São melhores que a vida inteira


Marina Cangussu F. Salomão

quarta-feira, 9 de abril de 2014

IAM

Essas vidas guardadas
Não sei para onde escoam,
Talvez entoam alguns cantos pelo avesso.
E no travesso é tudo outros,
Em grades soltos

Ataque cardíaco.


Marina Cangussu F. Salomão