segunda-feira, 30 de junho de 2014

Lestah

Aqui os dias amanhecidos perdem suas horas 
Em nuvens e sóis brincando de pega-pega
Daí poucas cores se tornam vivas 
Com tanto raio preguiçoso ou medroso na fuga

E assim vai-se a noite alta, clara 
De céu meio azul todo cinza
E vão também os mil detalhes 
De chuva, neve, assuntos e brisa

E entre pores e repores de sol e comida
Rememoram-se os temas, reviravolta dos lemas, 
Indo e vindo em falas soltas

Tudo sem tempo, sem relógio, sem fobia
Só gritos e risos. Atores.
De grandes olhos e muitas cores

E neste variegado aferente
Resumido em retas de línguas e planos 
Tudo vira amotinamento
Lá no apartamento 1061


Marina Cangussu F. Salomão

Leicester; 31/06/2014

domingo, 29 de junho de 2014

Sequências

Como poderia deixar-te
Quando inicio-me neste labirinto de vidas
Se o único que quero é o teu lado 
Para ir-me onde quer que seja
Onde quer que voe

Por isso envolva-me em teus aromas
E permita-me decifrá-los 
Um a um como amante
Deleitar-me nessa passarela de desejos e sentimentos 
Que me provocas

Pois só este teu caminho 
Conduz-me a todos os tijolos sequenciados 
Que compõem a finitude a que viemos
Só este teu calor
Só teu amor


Marina Cangussu F. Salomão

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Quilometragem

É essa nossa soltura
De vertigem fugaz 
Que nos traz paz 
Nessa conjuntura indefinida 
Nessa harmonia colorida 
Nesse nosso desajeito perfeito 

É essa nossa soltura 
Que de distâncias 
Cheio de abarrotâncias
Dentre bairros, cidades, países
Dentre amores, flores, raízes  
Nos faz perto

É essa nossa soltura
Que nos faz


Marina Cangussu F. Salomão

sábado, 21 de junho de 2014

Desejos

Quero teus beijos em meu pescoço
Quero teu gosto em todo meu corpo
E teu rude braço em meu contorno


Marina Cangussu F. Salomão

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Tardes amarelo claro

Êta que a tarde está linda à espera de meu amor!
E a terra úmida chamando nossos pés descalços 
Para brincadeiras de amantes
E a copa verde de nosso teto chuviscando o último orvalho 
Quando o vento enciumado vem nos visitar.
E mais parece que o sol está mais amarelo
E o verde: verde claro
E os olhos cintilantes de mansidão
E o amor risonho na plenitude dos pequenos instantes...

Marina Cangussu F. Salomão

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Fim do início do fim

Fiz da vida o concreto
Que não era o dos muros ou paredões
Mas que se endureceu
Se protegeu
Das alucinações

Marina Cangussu F. Salomão

Tardes de meios

O tempo parou estranhamente
Como a minha alma
Neste meio de tarde
De chuva mansa que não molha
Em painel amarelo ocre intenso
Sem intensidade
Meio perplexo
Sorrateiramente sem reação
Como se o dia houvesse suspendido seu tempo
E a si mesmo
Sem dádiva ou reclusão
Apenas monotonado 
Apenas encarcerado
Na paralisação.

Marina Cangussu F. Salomão