sábado, 21 de maio de 2016

Crises e Pontos de vista

Atrás de portas fechadas,
Repare bem,
Pode não haver qualquer saída.
Por outro lado dentre portas tortas
Pode não haver outra medida,
Mas sempre tem um infinito 
Imaginário de ver desenhos
Onde só há madeira.

Marina Cangussu F. Salomão

Poemas médicos

Ela era médica
Cirurgiã.
Um dia ela se feriu
Se rasgou.
E ela mesma se fechou.

Marina Cangussu F. Salomão

domingo, 1 de maio de 2016

Trechos da vida - Do aeroporto

'Não se esforce tanto em dizer adeus.'
Dizia insistentemente aquela voz em minha cabeça, enquanto eu vagava por um aeroporto. Já sem mala e sem encosto, só à espera de meu voo de volta.
Um coisa apenas eu tinha certeza: aquele voz que sempre me surgia na vida, como quem não é parte de mim, não se referia ao lugar onde estávamos, ao descanso, ao desconhecido de agora, às descobertas próximas.
Acho que se referia a mim mesma. 
A nós duas.
À última vez que pisei naquele mesmo aeroporto. Agora com artigo definido masculino singular. 
Dois anos antes.
Antes do desconhecido maior, da descoberta principal.
Época em que ia de encontro comigo mesma com minha ansiedade infinita. Ansiedade que só pertence a quem sabe que está aberto à mudança e prestes a encontrá-la.
Lembro-me bem do antes daquela viagem de mais de 400 dias, da voz dizer-me insistentemente como agora: estou curiosa com a eu que voltará.
E já se vão mais de 250 dias que voltei:
E sei de tudo o que mudei.
E sei daquilo que ficou.
Sei da ansiedade da volta, do medo de voltar a ser a velha eu - sem as diferenças que conquistei.
E sei ainda que nem todas as mudanças ficaram, mas poucas se foram até agora. Porém sei que muitas ainda estão por ir.
Porque a vida é em movimento e só se fica estático se não quiser andar.
Entretanto, toda essa mudança assusta e diz em silêncio todo o tempo: não se esforce tanto em dizer adeus a você mesma. 
Deixe ser e deixe ir sem algemas. Sem nada policial, sem leis, sem regras. Sem o reflexo de seu Édipo.
Deixe apenas ser eu.

Marina Cangussu F. Salomão

Trechos da vida - Do amor

A medida certa do desapego - ele me disse.
Não sei o pensamento que antecede ou qual o contexto: estava ainda compreendendo todas as nuances de um comentário anterior, suas razões, meus sentimentos e os significados. 
Quando voltei era essa a frase que pronunciava. 
Que pendia no ar.
Acho que ele divagava sobre estar solto e livre e ter. Porque nós agora, nessa nossa idade e com essa nossa história, discursamos apenas sobre o deixar-se solto, vagando leve, sem ninguém nem nada. 
Solitários. Individuais. 
Numa antítese contra tanta posse.
Mas em verdade somos sedentos de ter. 
Somos invariavelmente necessitados de almas, pessoas, experiências e amor. Uma posse profunda, que não é passageira, ligeira, nem superficial.
Uma posse que não é posse, mas doação, absorção, desejo, vontade e escolha.

Acho que era isso o que ele me dizia. Pois foi isso o que passei a querer.
Então, fiquei confusa e angustiada em minhas razões.


Marina Cangussu F. Salomão

.

[...]
Manos suaves y delicadas
La salsa Marina sale desde ahí
És el reflexo del alma y corazón sensillos
Me encanta verte

Muy fuerte y llena de ternura
Así és la bellesa del brillo de las estrellas
La alegria del mundo
Lo más sensillo de los sentimientos de los niños
La más intenso y verdadero amor que hay
El sudor que sale por el caliento del alma

Dios mio, gracias por conocer Marina!
Las palavras más ricas de los lábios más lindos
Que suerte la mia perderme en esos sentimientos
El pelo, el sudor y el llanto de amor

Gracias a Marina

L.A.C.B.
12/2015




domingo, 24 de abril de 2016

Mudos

Mudam as paredes
As cores
Os desenhos
Mudam os traços que escondem o segredo

Mudam os lados
As rimas
As contradições
Mudam os tempos que giram nos relógios de brinquedo

E mudamos nós.
E ficamos a sós
Com nós mesmos.
E fazemos alguns nós
Que desfazemos a esmo.

Mudam as mudanças e mudam os medos.
E dão medo as mudanças contadas nos dedos.


Marina Cangussu F. Salomão

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Pensamentos. Fragmentos.

Já não sobra mais tanta falta
Parece que as coisas vazias e as infinitas se rechearam de amor
E mesmo as dores se aquietaram.

E elas não vem do externo. Vem do olhar.
O olhar tranquilo que encontra
Sem ânsia. Sem medo. Um pouco mais de certeza.

Não certeza no que já há.
Mas certeza no que virá.
Certeza em conseguir a calma de tentar.

Parece que a gente escolhe as coisas erradas, às vezes.
E se perde.
Mas às vezes é bom o erro.

Em outras é bom a si se voltar.
E nem tudo será tão certo
Mas o certo que tem que dar.
(Eu já dizia desde a adolescência)

Mas é difícil mesmo essa coisa de não ter remo:
A falta falta.
É um vício isso de sofrer.

Porque você já nem mais procura:
Uma saída. Um caminho.
Mas isso também é bom (às vezes).

Marina Cangussu F. Salomão