segunda-feira, 11 de junho de 2012

Elixir brando

Posso lamber delicadamente o salgado de teu suor
Já que tão próximo encontra-se minha face 
De teu corpo desroupado,
Ainda em inspiração intensa de cansaço.
E desejo mais de teu lirismo desmedido e encurvado,
Das falas originadas de clowns e guetos.
Quero todo o sobressalto de teus nervos em cada pelo.
Mas quero antes, bem antes,
Os puristas rebaixados 
Junto do elixir de teu lânguido líquido salgado.


Marina Cangussu F. Salomão

As cores devaneantes

Gosto deste tempo de primavera 
De algumas poucas flores
No todo frio do ameno tropical,
Que embala as cores rosas que caem
Sozinhas do ipê para o pé,
E florescem um pouco o chão
Sem sorrisos para garis
Mas alegria de meus sentidos,
Que iriam pisar ignorantes
O pedaço dos sonhos das telas infantis,
Mas se voltam para o chão 
Em pensamentos alados.


E até o ar parece mais claro e puro
E minhas ideias mais claras nesse devaneio.


Marina Cangussu F. Salomão

sábado, 2 de junho de 2012

Os monstros do armário


Não passaria assim tão rápido quanto desejávamos
Para afastar nossos fantasmas criados ao longo da vida.
Uma vida cheia de monstrinhos
Que entram vagarosamente em nosso quarto pela noite
Atrapalhando nosso sono.
E toda noite da vida eles aumentam mais,
Até lotarem o cubículo que seria nosso descanso
E gritarmos por socorro, em plena noite.
Mas ninguém pode acender a luz,
Pois nada verão,
A não ser nossa fragilidade fajuta de meio adultos
E nos dirão tão frágeis e infantis.
Então calamos à espera de nossos pais.
Que não virão dessa vez.
Marina Cangussu F. Salomão

O velho sonho de novo


Havia algo de fantástico naquele sonho que morreu
E decidia ressurgir com novas justificativas.
Vinha lento e calmo com bons ares
Mas de algum jeito dessa forma me assustava.
Não era o que deveria nascer de um sono tranquilo
Muito menos de olhos tão atentos e abertos.
Tinha a mesma forma e deformava-me
Dando-me a escultura de louca.
E na sua longitude e infinita aspiração
Arrochava-me infantil em um canto
Medrosa e chorosa do tempo intocável
Que ele roubava de meu tato.
E é talvez por isso que eu precise de você agora
Para me proteger de todo esse mal invisível.
Mas minha voz não lhe alcança os ouvidos
E sozinha, o escuro dos olhos fechados do sonho
Cresce tamanhamente em minha volta.
Marina Cangussu F. Salomão

O que não é desejo


Não quero ver o futuro se repetindo
Como ciclo incessante e sem fim.

Não quero que uma palavra me ressoe tenebrosa
E meus joelhos se desmanchem perante seu som.

Não quero o frio penetrar impune
E insolente como dono e homem sério.
Marina Cangussu F. Salomão

O meu amor


Ele andou por estas ruas
Um pouco mais miserável
Um pouco mais detestável
Um pouco mais ninguém

Andava com as mesmas pernas
E ninguém o ensinou a andar
Ninguém o ensinou a falar
Ninguém o ensinou a olhar

Ele andou por estas ruas
E não viu quem passou
Ou passou demasiado
E abafou a vida acanhado

Andava com as mesmas pernas
Hoje altivas e semifirmes
Os mesmos pés calejados
E os mesmos sorrisos desajeitados

Ele andou por estas ruas
Um tanto mais magoado
Um tanto mais derrotado
E com um tanto mais de medo
Marina Cangussu F. Salomão

Planos


Os planos não existiam
Nunca enveredaram
Minhas portas complexas
Ou seguiram as linhas de papéis
Eles nunca viveram
Por poucos segundos
Porque o ar não existia
Próximo a mim
Estava sei lá em que veredas
Turvas ou marrons
Mas eram escuras
Nunca deleitaram
Nunca se fizeram
Só sonharam
Marina Cangussu F. Salomão