O tempo parou estranhamente Como a minha alma Neste meio de tarde De chuva mansa que não molha Em painel amarelo ocre intenso Sem intensidade Meio perplexo Sorrateiramente sem reação Como se o dia houvesse suspendido seu tempo E a si mesmo Sem dádiva ou reclusão Apenas monotonado Apenas encarcerado Na paralisação.
Fim dos pedaços salpicados de meu contorno Em enegrecidas cores de meu recorte Jogados ao ar em cheiros e cores de morte Mas ainda grito ensurdecedoramente As dores de meu entorno Pois nada está pelo socorro dos genes de estorvo Sedentos de amor
Nunca fui capaz de distinguir minhas cores Entre tantos extremos e estremecimentos Entre tantos esquecimentos Sendo o oposto do invertido ao contrário Nunca fui capaz de completar as listas que me caberiam os nomes Nunca fui capaz de me ser inteira entre desabrochares e solidões Sendo a bastarda de mim mesma A atrasada entre os ponteiros
Sou ética por repressão Porque no fundo, sempre fui uma garotinha com dor de alma Sem muita calma e pressa de atenção. Nos recheados, implorei que não fizessem por mim Porque eu queria todo o poder de início ou fim Todo o suor sendo meu, unicamente: Com vitória padecida E de aplausos carente Alguns poucos reconhecimentos. E a ética, por bem viver somente, Em hipocrisia Porque nunca foi necessário resposta do amor que seria No futuro do pretérito imperfeito.
Sei que os tempos estão amenos, meu amor E que as cartas levam meses para chegar Ônibus se vão e voltam sem respostas E o cochichar dos ventos dizem sequer suspiro Sei que a vida se mantem em lembranças E que o amor não passa de imagens refletidas Que o mover das palavras é capaz de transformar os rumos Mas que nem palavras são escutadas pelos ouvidos sedentos Sei. Sei que a vida se foi com seus planos infinitos E que eram planos lindos que doem a cada memorar Sei também que se perderam todos os toques Todos os tatos, os lábios, sorrisos e olhares E as respirações deixaram o amoroso para uma ansiedade medrosa Sim, amor, muitas coisas mudaram nessas rotas sem destino Tantas linhas retas agora curvas Perdidas, com esperanças de encontros Eu sei, meu amor, que não era esse o plano Eu sei.