sexta-feira, 17 de junho de 2011

Pedagogia

Há tanto pranto na existência
Que me despedaço em perguntas:
Se é mesmo real a vida de asas
Ou o alarido macio dos sonoros


Ressoam os autores em minha incredulidade
O desenvolver-se nas contradições
E constrói-se de angustias
E voa-se por pedras


Tesefica-se torto e circular
Tão mau que ama-se, tão caos que faz
Cospe, beija e deseja
Assim, vejo concreto em meu tato.


Marina Cangussu F. Salomão

Voe

Sei que me rendo a este sentimento
Calmo, vago e vagaroso
Que por vez se transborda e me toma desesperado
Confundindo-se partes. Esquecendo-se do todo.


Mas não me peça para reduzir o alcance
Nem desdesenhar o meu voo
Não diminuirei a exibição
Nem sequer reservarei minhas asas.


Assim como não desfarei o ninho
Não poderá dizer sobre os meus longos voos
Permanecerei de asas soltas
Grandes, abertas, infinitas.


Sentirei o vento bulinar minhas penas
E assobiar brincadeiras em meus ouvidos
Assistirei lá de cima todo desvelar de fatos
E sempre o levarei aonde quer que eu voe.


Poema dedicado a todas as Mulheres: 
Pelo direito ao ninho e de continuar voando!


Marina Cangussu F. Salomão

Gota

Desenha-se a gota que cai
E tão pequena se expande
Tão pouca e tanta onda
Revira a água inteira
Atinge as águas longe
Transmite-se singela
E se funde às outras
Unida se percebe e recebe
Revolta-se no chegar de gotas
Eleva e aumenta
E não mais pequena, molha
E grande se torna na poça.


Marina Cangussu F. Salomão

terça-feira, 14 de junho de 2011

Rua

Seria louco e lamentante
Não perceber os olhos que vão
E chegam e passam
E veem e pensam
Às vezes longe, indistintos
Ou mesmo perto e faminto


Seria insonso não perceber
O olhar flutuante
Cheio de sonhos ou mesmo dor
Outros lamentos, outros amantes
Numa mistura extenuante
De suor e vigor.


Marina Cangussu F. Salomão

Epifania

Eu canto porque o canto existe
Não sou humano nem triste
Apenas vagueio orientado
Por trilhos lambidos
Que de suor pregueiam
E faz-se só no alarido mórbido
Turbilhado de pensamentos alheios
E impossível de parar 
E sentir a divindade
Permaneço estático no bulir enérgico.


Marina Cangussu F. Salomão

sábado, 4 de junho de 2011

Panaceia

És tão complementar solto em mim
Que se dissolve e se perde
E misturado a minha cobiça
Não há distinção entre nossas linhas
Casuísta me despedaço
Em teus dedilhos leves e petardos
Como aurora rosicler,
Que se confunde com o fim do dia,
Palpitas em mim, denso e pesar
E supostamente roufenho
Faz-se fausto e voluptuoso
E de minha boca brota apenas:
Shraddha!




Marina Cangussu F. Salomão

Sonhidez

Palavras repletas de ocupações precoces
Destoam do silêncio remediado
E entre tempos some-se outro
Perde a essência da finitude


Quisera controlar fatos
E consertar prelúdios
- dir-se-ia em versos melodiosos
Mas nunca se toca o abstrato


Faz-se contorções em caixa mágica
E altera o que se espera
Porém não muda a rota ou rumo
Apenas depara e cala


Não se vê tempo no decorrido
E as palavras fluem independentes
Os planos irrelevados se esconde.
Adeus, Doce Quimera!




Marina Cangussu F. Salomão