segunda-feira, 4 de abril de 2011

Alma demente

A única coisa certa 
É que ele não nasceu com nenhum dom,
Apenas o de não ter uma perna.
Ele não movia fraternalmente,
Ele não produzia sequer substância,
Ele não tinha uma perna!

E tão coitado foi na infância
Que determinou-se seu futuro
Em ruas escuras e sujas,
Como sua alma demente,
A pedir dinheiro.
Pobre desafortunado fadado ao fracasso!

Não que não sonhasse: 
Predeterminaram-lhe a vida
A pedir esmola, a pedir futuro.
Não que não vivesse:
Os vidros nunca se abaixavam,
Os olhos sempre para o outro lado.


Marina Cangussu F. Salomão

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