segunda-feira, 11 de junho de 2012

O moço

Via-se seu reflexo descabido
Entre roupas largas mal vestidas
Cobrindo uma pele, pele apenas
Sem beleza ou carmim


Estava de cócoras escondido
Em um canto mal clareado
Procurando o escuro
Onde não nasce bonfim


Era aquele tipo mal dormido
Sem olhos para ver-se
Arrastando seus ossos
Entre o povo latim


Não tinha brilho consumido
Nem sequer o produzia
Na desesperança de seu dia
Esperando enfim o fim


Mas o tempo corrompido
Incapaz de sentimentos
Não lhe dava trégua 
Nem uma cama de capim


Nada lhe era trazido
Nem pão já lambido
Nem roupas
Nem libido.
Marina Cangussu F. Salomão

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