quarta-feira, 9 de maio de 2012

O tempo das horas


Sentia angústia pelo tempo desperdiçado
Nesse colar de rotinas minúsculas¹
De vai-e-vem sem ir a lugar algum
Rodando lentamente à espera de tontear-se
E sentir a alteração autônoma de seu corpo
Para se sentir mais autêntico e si
Mas ao final de tantas voltas
Nada era além de um corpo (corpo apenas)
Sem a alma para girar no espaço
E transcorrer seus ilimites
Pois o corpo gritava mais alto
Na exaustão da tentação do todo
E ilimitada era somente a carga que lhe pendia
No descorrer de tantas horas
Sem medidas no relógio
Pois o tempo não se via, só a dor por todo o corpo
Em cansaço de mesmice de dias sem exatidão.
Marina Cangussu F. Salomão
¹Isabel Allende – O Plano Infinito

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